O que fazer na semana da prova – parte 1


À medida que a o dia da prova se aproxima, muitos candidatos experimentam a sensação de ansiedade e certo nível de desorientação. Surgem inúmeras dúvidas sobre como proceder nesses dias que antecedem a avaliação que poderá mudar para sempre a sua vida. São comuns os questionamentos sobre o próprio nível de preparação em relação aos outros candidatos, além da falta de auto confiança que em algum grau, acomete a maioria dos concurseiros. Confira na primeira reportagem, da série sobre a reta final antes da prova, as dicas divididas por tópicos, dos especialistas Fernando Mesquita, Letícia Nobre e Delchi Bruce. Eles ensinam o que pode ser feito para atenuar a pressão tão comum nesse período tão decisivo.

EXERCÍCIOS
Segundo o coach para concursos Fernando Mesquita, é importante atentar que a preparação real, começa muito antes de se chegar a véspera da prova. Para ele, quando o candidato percebe que não estudou tanto quanto deveria, uma estratégia que pode funcionar (e até levar à aprovação, em alguns casos extremos) é a realização de muitos exercícios. “Isso é recomendado para qualquer caso, na verdade. Mas em caso de não-estudo durante o período, fazer exercícios dá ao candidato uma vantagem porque o coloca em contato direto com o que a banca responsável tem cobrado, o que muitas vezes é um diferencial entre os candidatos (conhecer as questões correntes)”, explica.

Ele comenta que são comuns provas em sequência da mesma banca cobrarem questões semelhantes em disciplinas como Atualidades (mais comum) ou Direito (menos comum), por exemplo. “Veja qual a banca do concurso e faça todos os exercícios que puder, verificando o material de consulta para tirar as dúvidas mais cabeludas”, aconselha.

Já os candidatos que estudaram bastante e chegam preparados à última semana estão no melhor dos cenários. Para esses casos, Fernando recomenda que o estudante faça uma análise do próprio desempenho. “Isso deve acontecer todos os dias, não só na semana da prova. O candidato precisa saber como se sai em cada disciplina, em quais matérias tem mais acertos e em quais erra mais questões, quais são suas dificuldades específicas e como agiu para superá-las”, exemplifica. Segundo Fernando, essa análise do desempenho é especialmente importante na semana que antecede a prova, porque dá ao estudante a chance de equalizar seu conhecimento e agarrar alguns pontos nas últimas sessões de estudos. Como consequência disso, principalmente quando se tem dificuldade em uma disciplina específica, é importante tentar pegar pelo menos os conceitos básicos dela para encarar a prova. As bancas não costumam aprofundar muito. Então, saber o básico já é vantagem.

RESUMOS
O gestor de conteúdo do Mapa da Prova, Delchi Bruce acrescenta que nesse momento é importante que se perceba que mesmo se tratando de uma revisão não será possível rever todo o conteúdo, então é preciso pre-selecionar o que deve ser revisado. “A revisão deve consistir na leitura dos esquemas e resumos feitos pelo estudante e na resolução de questões que o aluno já havia errado para que ele possa fechar de fato o tema”, afirma. O escritor Fernando Mesquita reforça que os últimos dias são tempo de resumos e mapas. “Se você faz resumos, dê-se ao trabalho de lê-los agora. É para isso que foram feitos, é nesse momento que eles brilham”, destaca. “Ler resumos não é uma atividade passiva. Envolve pensamento. O estudante deve indagar se realmente entendeu cada ponto, se determinado conceito é claro para ele, e se seria capaz de explicá-lo com suas próprias palavras. São perguntas que têm de estar com o candidato o tempo todo,” completa.

Segundo Delchi, outro aspecto importante a ser considerado nessa última fase de revisão é procurar reter o máximo de conteúdo possível. “É melhor procurar ver todas as matérias a cada dia do que usar o dia todo para estudar apenas uma matéria”, aconselha. Delchi recomenda também que o candidato não estude novos conteúdos, a não ser que perceba alguma lacuna muito grande nos estudos. Para ele, é melhor que se faça apenas a revisão do que estudou. O escritor Fernando Mesquita completa a dica: “Quando o estudante identifica seus pontos fracos, imediatamente ele sabe onde estão os problemas. Ele reforça esses pontos (lendo os conteúdos que não ficaram claros e fazendo mais exercícios). Mas não é apenas isso. Atuar com foco no problema significa treinar uma introdução da redação, entender uma posição dissonante da banca. Se o candidato erra a mesma questão várias vezes ou sempre tem problemas com discursivas, é porque ele não está fazendo isso”, sentencia.

EDITAL
Outra dica muito importante segundo Fernando Mesquita é reler o edital. Para ele, o edital é o melhor amigo do candidato. “De forma ideal, o estudante já o terá lido várias vezes durante a preparação. As últimas leituras servem para analisar novamente os possíveis temas da discursiva, ver o peso das disciplinas para comparar com os esforços dos pontos anteriores e começar a se preparar para o dia da prova”, afirma. Ele aconselha também que o candidato fique atento ao tema da discursiva. “O estudante sabe os grupos de disciplinas que podem ser abordadas (normalmente, gerais, específicas ou temas determinados). Se sua redação pode ser sobre Administração, ele deve avaliar as últimas discursivas cobradas pela banca e conhecer o tema. É importante perceber o que está tem sido cobrado, mas não se deve se resumir a isso. É aconselhavel saber o básico de tudo – não só para responder itens objetivos, mas para elaborar um texto”, diz.

Para finalizar, Fernando recomenda a resolução de muitos exercícios. “Se você não fez todos os exercícios que podia, agora vá à forra. Passe a maior parte do tempo nessa tarefa, que com certeza trará bons frutos. Os exercícios, como dito, o ajudam a se localizar em termos das necessidades que você tem de aprofundamento, os tópicos mais complicados, aquilo que você tem errado ‘de bobeira’. Além disso, eles lhe mostram uma espécie de mapa do que é necessário fazer”, diz. Ele recomenda que o candidato se esforce ao máximo para conhecer bem a banca que organizará o certame. “Com sorte, isso já foi feito extensivamente ao longo dos dias. Envolve saber o estilo de questão, as posições doutrinárias, a forma de cobrança dos conteúdos e quais os temas mais quentes. Isso tudo o candidato aprende resolvendo questões de diversas provas anteriores”, conclui.

Na segunda parte desse guia, veremos as dicas para se preparar física e psicologicamente durante a última semana antes do dia “D”. VEJA AQUI.

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