Conheça a trajetória de uma Auditora-Fiscal que fez carreira na Receita Federal

A Auditora-Fiscal aposentada pela Receita Federal do Brasil (RFB), professora Ana Maria Ribeiro dos Reis, trabalhou 29 anos no órgão, tempo em que também investiu em sua carreira acadêmica. Além de bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub) e mestre em Direito Constitucional pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), ela é pós-graduada em Direito Tributário pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e em Engenharia Econômica pelo Centro Universitário (UDF).

A professora, que tomou posse na Receita em 1982 e passou por vários cargos, atuou também no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e na Escola de Administração Fazendária (ESAF). Atualmente ela é coordenadora acadêmica e professora do curso de pós-graduação em Direito Tributário da ESAF, professora de Processo Administrativo Fiscal no IDP, e de Direito Tributário e Processo Administrativo Fiscal da ESAF. Também é professora de Direito Tributário no Mapa da Prova.

Mapa: Por que decidiu fazer o concurso para entrar na Receita Federal?

Ana Maria: O que me motivou na decisão foi a importância da carreira de Auditoria Fiscal. Uma das razões de fazer o concurso foi que as provas privilegiam a área de exatas, e eu era, à época, professora de matemática. A Receita foi o meu segundo concurso, o primeiro foi na área do magistério.

Mapa: Como foi o início do seu trabalho no órgão?

Ana Maria: Comecei a trabalhar como controladora da arrecadação federal na área de arrecadação da Delegacia da Receita Federal em Brasília, uma unidade local. Essa área fazia o atendimento ao contribuinte, pois ainda não existia o Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC).
Em 1985, ocorreu a fusão das carreiras de Fiscal de Tributos Federais e Controlador de Arrecadação Federal.

Na área de Arrecadação, não havia a informatização que existe hoje. O trabalho era manual e mecânico. Ainda usávamos máquina de datilografia, poucos computadores, e a Superintendência, órgão regional, utilizava um computador de médio porte. Bem diferente de quando saí da Receita.
Mapa: Como ocorreram suas passagens por diferentes cargos?

Ana Maria: Comecei na Delegacia da Receita, depois fui para a Superintendência da Primeira Região Fiscal, órgão regional que coordenava o trabalho das delegacias do Centro-Oeste. Na Superintendência, fui chefe da sessão de Previsão e Análise da Arrecadação Federal, época em que fiz especialização em Engenharia Econômica. Acompanhei a implantação da Delegacia de Palmas, depois da criação do estado de Tocantins.
Trabalhei também na área de Fiscalização da Superintendência e, após isso, retornei para a Delegacia como chefe da divisão de arrecadação. Fui ser delegada adjunta e, em 1994 e 1995, delegada da Receita Federal do Brasil em Brasília.
No Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), fui conselheira de 1996 a 1998. Fiz o curso de Direito e passei a trabalhar na Tributação. Fui coordenadora da área de normas gerais e coordenadora geral de tributação substituta. Nessa época, iniciei o metrado em Direito Constitucional.
Depois voltei para o CARF, em 1998, como presidente de câmara. Posso dizer que trabalhei em quase todas as áreas da Receita Federal do Brasil!
Enfim, fui para a ESAF, em 2010, logo após terminar o mestrado. Trabalhei como diretora adjunta, responsável pela gestão acadêmica da escola. E fechei a carreira em 2011.

Mapa: Teve dificuldade na adaptação? Como superou?

Ana Maria: Nunca tive grandes dificuldades, somente em algumas adaptações em mudanças de área e de cargo, normal em qualquer organização.

Mapa: Quais os principais desafios vivenciados? Por quê?

Ana Maria: Tive desafios, principalmente, nos cargos que envolviam gestão. Em quase toda a carreira da Receita, assumi cargos de chefia, responsável pela gestão de pessoas e resultados. Senti a falta de formação específica nessa área.
Outra questão é que fui delegada e, na época, poucas mulheres assumiam cargos de chefia. O Secretário da Receita em 1994, Osiris Lopes de Azevedo Filho, foi o responsável pela nomeação de várias mulheres como delegadas.

Mapa: Do que você mais gostava no seu trabalho?

Ana Maria: Uma coisa que dá um grande tom na Receita Federal do Brasil é vestir a camisa, a importância que você vê no trabalho que faz para a sociedade e vê o resultado. Trabalhei na área de elaboração de normas, por exemplo, com grande repercussão na vida do cidadão e da sociedade como um todo.
A repercussão do trabalho é bem interessante! Você sente isso na Receita: as pessoas, em regra, gostam de dizer que são do órgão e vestem a camisa! É comum ver as pessoas querendo fazer o seu melhor. É um órgão sério que você vê a importância e a credibilidade.
Veja o exemplo da área de atendimento. Houve foco no atendimento a distância. A Receita evoluiu muito nessa área. No início da minha carreira, o órgão ficava lotado no dia 30 de abril, último prazo para a declaração do imposto de renda. Fazíamos plantão! Com o atendimento a distância, as coisas melhoraram.

Mapa: Qual o benefício mais importante oferecido pela Receita Federal para seus servidores?

Ana Maria: Na Receita existem oportunidades de mudanças de cargo. A carreira de Auditor-Fiscal é de Estado, ou seja, independente das mudanças de governo.
Um diferencial é que existem áreas diversas de atuação, como jurídica, auditoria, administrativa, tributária, estudos… Então você se encontra em uma delas. Auditor-Fiscal nao é só “contabilidade”, como muitos pensam.
Passei por vários cargos, foram surgindo oportunidades e houve reconhecimento. O que posso salientar como ponto positivo na carreira, é esse leque de atividades que a Receita oferece. Há oportunidades para profissionais de várias áreas. Difícil encontrar outro órgão com tais oportunidades.

Mapa: Você considera difícil o concurso de Auditor-Fiscal?

Ana Maria: Sim, porque tem uma área geral e uma área muito específica. A pessoa que optar por fazer o concurso da Receita deve focar nele, estudando as matérias específicas da Receita, como Legislação Tributária e Legislação do Comércio Exterior.

Mapa: Você acha que as provas são difíceis somente no momento atual?

Ana Maria: Acho que sempre foram difíceis. Quando fiz o concurso, na época, havia 1500 vagas, mas cerca de 30 mil candidatos. Os aprovados só preencheram metade das vagas.
O que ocorre, hoje, é que a concorrência aumentou. Existem mais pessoas fazendo faculdade e procurando concurso público. Acho que os aprovados se esforçam muito. E é preciso se esforçar.

Mapa: Qual dica ou mensagem você deixa para o candidato a Auditor-Fiscal?

Ana Maria: Para a pessoa que entrar na Receita, sugiro que aproveite as oportunidades que forem surgindo e que são aderentes à formação dela, para que também se sinta feliz com o que está fazendo. Na Receita sempre haverá oportunidades e, como na vida, temos que aproveitar as oportunidades que surgirem, pois pode ser que não surjam apenas uma vez.
Importante, também, sempre se lembrar da importância do trabalho do auditor para o órgão, para a sociedade e o país.

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Por: Giselli Vieira / Assessoria de Comunicação do Mapa da Prova
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