A trajetória de uma aprovada para o TRT da 2ª Região – São Paulo

A Analista Fernanda Baracat foi aprovada para o cargo de Analista Judiciário – Área Judiciária no concurso para o TRT da 2ª Região (SP) de 2008. Ela tomou posse no dia 18 de setembro de 2009 e conta que esse foi o dia mais feliz de sua vida. Já ao final do mesmo mês, Fernanda iniciou suas atividades no Tribunal. O Blog do Mapa da Prova conversou com ela para saber, entre outras coisas, como se deu a preparação que a levou ao cargo. Confira:

PRIMEIROS PASSOS

Quase um ano antes de se formar na faculdade, Fernanda decidiu iniciar seus estudos para os Tribunais. “Era um cargo com o qual eu teria maior possibilidade de passar, já que são vários concursos para os Tribunais Regionais Federais e para os Tribunais Regionais do Trabalho”, explica. “E tive a sorte porque saíram vários concursos na época”, completa.

Fernanda conta que iniciou seus estudos para fazer o concurso do TRF da 1ª Região, cuja prova foi realizada ainda antes de se formar. “Estudei bastante, mas ainda não tinha condições de passar”, relata. Pouco tempo depois foi lançado o edital de abertura do concurso para o TRF da 5ª Região, ao qual ela se candidatou para atuar no Ceará. “Lembro que a prova seria logo após o carnaval e meu baile de formatura, então passei os dias de carnaval (que adoro) em casa estudando. Valeu a pena, porque acabei sendo classificada na 127ª colocação. Comemorei muito na época, mas não cheguei a ser nomeada”, conta. O concurso expirou quando faltavam apenas 19 candidatos antes de Fernanda. “Mas a boa classificação me deu motivação para seguir em frente”, afirma.

DECEPÇÃO

Logo após o concurso para o TRF-5 saiu o edital do concurso para o TRT-RJ. “Estudei muito, cerca de 10 horas por dia, já que estava formada e só me dedicava em me preparar para a seleção. Essa foi a minha primeira grande decepção em concursos. Não cheguei nem a ter a redação corrigida. Não entendia como não tinha passado, já que estudava todos os dias com uma amiga que foi aprovada. Nesse momento você questiona tudo: sua inteligência, se concurso público é mesmo pra você, se você vai conseguir passar…” Ela conta que seu pai queria que ela fosse advogada. “Fui contra ele ao manter meu posicionamento e dizer que queria fazer concurso. Aí vem a insegurança, o medo, a cobrança que você mesmo se impõe. Foi um período muito difícil, mas no fundo tinha a certeza que daria certo”, relata.

Como a companheira de estudos tinha sido aprovada, Fernanda começou a estudar sozinha. “Dela herdei a disciplina com os horários. Além disso, estudar sozinha me deu a consciência das minhas limitações, no que eu precisava focar mais. Por exemplo, eu tenho uma memória boa a longo prazo, mas ruim a curto prazo, então eu preciso ler um conteúdo três, quatro, cinco, dez vezes”, confessa.

RECOMEÇO

Quando o edital do TRT-GO foi lançado, Fernanda transformou sua decepção em disposição. “Sabe quando você tem sangue nos olhos? Pois é! Corrigi os erros dos meus estudos e estudei muito! Na véspera da prova cheguei a estudar até 14 horas por dia. Eu nunca gostei de estudar aos finais de semana, então preferia estudar mais em dias de semana pra ter mais tempo livre aos sábados e domingos”, afirma. “Ao fazer a prova, tive a impressão que nem se minha mãe estivesse na banca, seria tudo tão perfeito. Eu simplesmente sabia tudo! Quando terminei a parte de Conhecimentos Específicos fui ao banheiro tremendo e quase chorei de emoção. Tinha certeza de que seria aprovada. Saí da prova contente, contei pra todo mundo que tinha passado”, afirma.

Mas, como ela mesma diz, concursos têm lá suas surpresas. O concurso em questão tinha prova aberta (discursiva) e nela havia duas questões, uma delas com dois itens. “Errei um deles e quando descobri meu mundo caiu. Na prova fechada eu tinha errado apenas uma de Direito e duas de Português e isso colocaria tudo a perder. Acabei ficando na 71ª colocação e com muito medo de não ser nomeada. Com isso ficou a lição: de nada adianta ir bem na prova fechada (objetiva) e ir mal na aberta ou na redação” alerta.

Graças à lição aprendida em sua última experiência, quando saiu o edital do TRT-SP, Fernanda se inscreveu num curso de redação, pois havia concluído que isso seria determinante para uma boa classificação. “Estava muito triste com o resultado do TRT-GO, tirei forças para estudar sabe-se lá de onde. Meus estudos ficaram bem prejudicados nessa época e não fiquei muito esperançosa ao terminar a prova do TRT-SP”, relata.

APROVAÇÕES

Mesmo após corrigir os gabaritos da prova do TRT-SP, Fernanda não tinha grandes esperanças. Tinha errado quatro questões de Direito (com as anulações). “Sabia que poderia ter chances porque comentava-se que seria um concurso em que chamariam muitas pessoas, mas não podia imaginar a minha classificação. Minha descrença com o concurso era tão grande que cheguei a esquecer do dia do resultado. Até que um amigo me mandou uma mensagem me parabenizando. Então, fui correndo ver a lista. Comecei de cima pra baixo e me achei na 67ª posição! Enlouqueci! Em São Paulo com certeza eu seria nomeada nessa posição”, conta.

Depois da prova do concurso para o TRT-SP, Fernanda ainda fez provas para o TRT-BA, TRT-ES e TRT-15, mas não chegou a ser aprovada em nenhum deles. “O curioso é que a prova do TRT-BA foi exatamente uma semana após a prova do TRT de São Paulo. Como se pode ser aprovada com boa classificação num concurso e sequer classificada em outro? Aí veio outra lição: existe aquela prova que é feita pra você e existem outras provas que não. Você não esquece tudo que estudou em uma semana”, conclui. Depois de nomeada no TRT-SP, Fernanda ainda foi nomeada para os cargos de Técnico e de Analista em Goiás, mas optou por permanecer em São Paulo.

COMPROMETIMENTO

Sobre o que julga ter sido determinante para a conquista do cargo, Fernanda aconselha que, em primeiro lugar, é importante ter disciplina e o compromisso de fazer o máximo que puder com o tempo que tiver disponível. “Aconselho a elaboração de um cronograma de estudo para ser seguido rigorosamente. Outro ponto é entender quais são suas limitações e planejar seus estudos de modo a superá-las. É importante também fazer muitas questões, conhecer a banca que fará a prova”, enumera.

Fernanda recomenda ainda o estudo das matérias de conhecimentos gerais. “Elas fazem toda a diferença. Pelo menos na FCC, redação vale muitos pontos, então deve-se fazer um curso voltado para redação em concursos. No meu caso, no concurso para o TRT de São Paulo, tinha ficado na 261ª posição e com a redação, na qual tirei 95, subi para a 67ª posição. Isso pode definir a sua classificação. No mais, saber que por mais que você seja reprovado e sofra por isso, a sua prova está por vir. Então sempre tente melhorar a cada concurso e nunca desista, porque a aprovação é um fato”, afirma.

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